Reunidos nos chamados agrupamentos de samba, eles resgatam raridades

Dona Leda canta na roda de samba que homenageou o centenário do sambista Silas de Oliveira.

Dona Leda ajudou o agrupamento Glória ao Samba a resgatar sambas criados há mais de 70 anos  (Juliana Vitulskis/Direitos Reservados)

Por Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil*

Ledahí Dias Nascimento tinha 14 anos quando, no quintal de sua casa, a Escola de Samba Império Serrano foi fundada no Rio de Janeiro, em 1947. Filha de Tia Eulália, matriarca da escola de samba carioca, Dona Leda – hoje com 85 anos – é uma memória viva das primeiras décadas do samba. Às vezes, a lembrança daquele tempo vem em forma de verso, em um cantarolar saudoso, e, assim, uma melodia esquecida pode fazer história.

A memória de sambistas da velha guarda é o principal material de trabalho do agrupamento paulistano Glória ao Samba, que pesquisa músicas inéditas – nunca gravadas – das primeiras décadas do século 20 e que vivem apenas nas recordações de antigos integrantes das escolas de samba. Mais de 300 canções já foram redescobertas. Depois elas são tocadas em rodas de samba que fazem homenagem a compositores e escolas.