Por Israel Augusto – Jornal do Rap

Rael, Emicida, Drik Barbosa e Rincon Sapiência. O que eles têm em comum, além do rap? Ou, melhor, o que seus últimos discos têm em comum? A Deezer, plataforma de streaming global de música, convidou esses artistas para te contar.

Durante novembro, a Deezer criou o canal ‘Mês da Consciência Negra’, com conteúdo de artistas e produtores negros. Isso também inclui conteúdos exclusivos Deezer, como o Faixa a Faixa – playlist comentada pelos próprios artistas, onde eles contam todas as histórias, inspirações e segredos por trás de cada track.

A cada terça-feira é lançado um Faixa a Faixa e, o que os artistas falam, é um deleite para os ouvintes. O que une os quatro álbuns é a inspiração na cultura africana. Além disso, de certa forma, também se conectam ao levantar questões sociais.

O álbum ‘Mundo Manicongo: Dramas, Danças e Afroreps’, de Rincon Sapiência, será lançado na próxima segunda-feira (25) e o Faixa a Faixa no dia seguinte (26), mas já vamos dar um spoiler. O apelido do rapper (Manicongo) deu origem ao nome do álbum e à faixa introdutória: ‘Mundo Manicongo’ – a track inclusive tem versos bem livres, não tem muitas melodias, tem a linguagem do Emicida e as rimas bem presentes. Recheado de africanidades, afrobeats e afroraps, ele brinca no Faixa a Faixa que pegou diversas referências nacionais e internacionais – como músicas africanas e baianas, rap nacional e funk 150 bpm – e adicionou o ‘tempero’ de Manicongo.

No geral, o disco tem uma linguagem bem diferente do que já fez anteriormente, mas o verso livre ‘Primeiro Volante’ finaliza o disco de um jeito bem velho Rincon. Toda direção e produção musical foram feitas pelo próprio rapper e ele conta com algumas colaborações especiais nas tracks com Lellê, 3Duquesa, Audácia, ÀTTØØXXÁ, Rael, Gaab e Mano Brown.

Outro lançamento aconteceu nesta segunda-feira, 18. Drik Barbosa estreou seu primeiro álbum, que tem como título seu próprio nome. Com muito love song e uma mistura com pagode e energia baiana, seu disco fala, principalmente, sobre a mulher negra, a herança musical e a liberdade feminina. No seu Faixa a Faixa, Drik conta que a música ‘Liberdade’ foi um presente do Emicida e fala sobre como temos que mudar os pensamentos do machismo estrutural.

Em ‘Luz’, a mensagem segue forte. De acordo com Drik, “estamos passando, principalmente agora, por um momento muito tenso no país e no mundo. Falar em ser luz em momentos tão sombrios é muito importante. Precisamos dessa motivação e esperança de que carregamos coisas boas dentro de nós e vamos conseguir mudar as coisas ao sentir amor e se sentir abençoado e iluminado”.

E falando em bênçãos e amor, Rael vem com o disco ‘Capim Cidreira’. O nome do álbum se deu por conta de uma lembrança materna: sua avó era benzedeira e fazia muito chá de capim cidreira. O disco é calmo, tem uma pegada de música africana misturada com reggae music e prega o amor próprio e a “good vibes”. O estúdio que Rael reformou e gravou as músicas é carinhosamente chamado de “horta musical” porque é lá que ele semeia as ideias.

Rael conta no Faixa a Faixa que a música ‘Vendaval’ foi criada após um processo de depressão. Ali ele percebeu que precisava falar de amor: “O clima estava hostil na internet, ‘Vendaval’ nasceu da ideia de unir as pessoas globalmente – o que não tem acontecido. Estamos só nos afastando e eu não queria ser mais um poluindo e falando um monte de coisa. Decidi só falar de amor”.

Outro que compartilha da forma de pensar desses artistas é Emicida. Seu álbum ‘AmarElo’, lançado no final de outubro, deu o que falar: em tempos de ódio e intolerância, o rapper convida a população a parar de gritar e discutir, a ter mais empatia com o próximo, e assim ouvir mais.

A faixa introdutória ‘Silêncio’, criada em parceria com a Deezer, transmite exatamente isso. De acordo com o rapper, ‘Silêncio’ “surgiu da necessidade de construir e conectar todos nós enquanto seres humanos, para que a gente consiga se desconectar por alguns instantes e, se Deus quiser, depois desse momento, essas conexões que a gente conseguir estabelecer se mantenha, para que a gente se desconecte de tudo que é ruim e que nos separa. Que a gente se una pelo o que a gente tem em comum”.

“Estamos muito orgulhosos de trazer esse projeto tão especial e cheio de conteúdo original que enaltecem a música preta. Para o Faixa a Faixa, fizemos a curadoria de artistas que lançaram álbuns icônicos recentemente, que têm algo a dizer, com um questionamento social, e que têm a cultura negra muito forte em suas composições”, afirma Gabriel Lupi, Head de Conteúdo da Deezer no Brasil.

Outros conteúdos originais estão disponíveis no canal exclusivo da Consciência Negra.