Hoje a gente celebra o Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. Aqui no Brasil, a data é o ápice das comemorações do Julho das Pretas, mês em que altas atividades culturais e do pensamento saúdam a força das mulheres que levaram e levam nosso país no braço. Hoje é dia pra botar de vez na cabeça que a energia ancestral de mulheres negras é a força que a gente precisa pra mudar o futuro e transpor esse momento pesado que a gente tá vivendo.

Então hoje eu te convido a acompanhar a programação de eventos que celebram esta data, como o Festival Latinidades e o Festival Preta Cei. Vem com a gente conhecer a história de mulheres negras latino-americanas que plantaram futuro e nos ensinam a colher justiça.

Virginia Brindis de Salas (pseudônimo de Iris Virginia Salas), foi ativista, escritora e a primeira mulher negra a publicar uma coletânea de poemas na América do Sul (“Pregón de Marimorena, em 1946 e depois “Cem Cárceres do Amor”, em 1949). Nascida em Montevidéu em 1908, é considerada a principal poeta afro-uruguaia. Sua obra trata da cultura e dos costumes da população negra e denuncia o racismo no país. Virginia foi uma das principais integrantes do Círculo de Intelectuais, Artistas, Jornalistas e Escritores Negros do Uruguai (Ciapen, em espanhol), associação que buscava valorizar a cultura afro-uruguaia. Também escreveu para a revista Nossa Raça, uma das principais articuladoras do pensamento negro do país, entre 1939 e 1948, no segundo período da revista. A poeta morreu em 1958, e o governo uruguaio lhe concedeu o título de “Personalidade Afro-uruguaia” em 2012

Nascida em 1958, María Elena Moyano foi ativista e dirigente social. Atuou contra a pobreza e pelos direitos das mulheres no Peru e foi opositora do Sendero Luminoso, grupo guerrilheiro com inspiração maoísta surgido no país nos anos 60. Conhecida como “Mãe Coragem”, Moyano participou de diferentes organizações de mulheres e, em 1983, presidiu a Federação Popular de Mulheres da Villa El Salvador (FEPOMUVES), distrito popular da província de Lima. Em 1989, foi eleita vice-prefeita desta província. No final da década de 1980, o Sendero Luminoso começou a intensificar a perseguição a mulheres ativistas, sendo três delas mortas. Em 1992, Moyano foi assassinada aos 33 anos de idade. Além de ser baleada, teve o corpo dinamitado. Em 2017, o governo peruano outorgou uma condecoração póstuma a Moyano, no aniversário de 25 anos de sua morte.

Nascida em 10 de julho de 1926, Argelia Laya foi educadora e atuou pelo direito das mulheres no país. Liderou o sindicato de professores nos anos 1950, integrou o Partido Comunista da Venezuela, dirigiu as Forças Armadas de Liberação Nacional (FALN) e esteve na guerrilha venezuelana nos anos 60 sob o nome de “Comandante Jacinta”. Após romper com os guerrilheiros, ajudou a fundar o Movimento pelo Socialismo (MAS), em 1971, partido que presidiu posteriormente e pelo qual se tornou parlamentar pelo estado de Miranda, no norte do país. Foi a primeira mulher e primeira afrodescendente a liderar um grande partido político na Venezuela. Morreu em 27 de novembro de 1997.

Sharylaine Sil é a pioneira do rap feminino em Sampa, a capital paulista, sétima cidade mais populosa do mundo. Foi ela quem montou o primeiro grupo formado só por mulheres, em 1986, o “Rap Girl’s” e participou da “Coletânea Consciência Black Vol.1”. O hip hop da Zona Leste, onde nasceu, conta há mais de três décadas com as suas rimas. Ela criou e consolidou o Fórum Nacional de Mulheres do Hip Hop e vem construindo e consolidando a atuação da mulher nesse gênero musical predominantemente masculino. Suas composições abordam, ainda, o feminismo e a valorização da identidade de quem vive longe dos centros urbanos, nas bordas da capital. A invisibilidade é a principal barreira no processo de divulgação do que não é produzido nos grandes centros. Desafio aumentado sobretudo na cena hip hop e com protagonismo de mulheres negras: “Temos que ser magras, loiras, de cabelo liso. Temos a publicidade trabalhando contra nossa identidade”.

Cineasta do Cinema Novo, Adélia Sampaio foi a primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil. “Amor Maldito” foi lançado em 1984 e enfrentou várias barreiras para chegar à tela.