Raphaella Torres* e Rebeca Borges* | Correio Braziliense
Mulheres negras de diversos países comemoram, na próxima quarta-feira, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. A celebração foi instituída em 1992, ano em que ocorreu o primeiro encontro de mulheres negras da América Latina e do Caribe, na República Dominicana. Além disso, no Brasil, na próxima quarta-feira comemora-se  também o Dia da Mulher Negra, instituído em 2014, em homenagem à líder quilombola Teresa de Benguela, a rainha Teresa, como ficou conhecida. Ela foi o símbolo da resistência negra na região do Vale do Guaporé, no Mato Grosso, no período de 1750 a 1770.

Além de ressaltar a força e a história dessas mulheres, a comemoração tem objetivo de debater pautas específicas, de acordo com as vivências femininas em cada um desses países. “Eu acho essa data fundamental. Quando se fala sobre negritude, a gente tem um padrão muito norte-americanizado”, conta a cantora Thabata Lorena. “Essa data busca ressaltar o empoderamento da mulher negra, que é importante para combater essa falsa democracia racial que existe no Brasil. É necessário mudar a forma como as próprias mulheres negras se enxergam e, assim, mudamos pelo menos um pouco a questão do preconceito”, afirma a rapper Vera Veronika.
É importante lembrar que as condições de vida das mulheres negras latinas e caribenhas merecem mais atenção. No Brasil, por exemplo, apenas 10% das mulheres pretas ou pardas completam o Ensino Superior, segundo dados da pesquisa Estatísticas de Gênero, do IBGE, divulgada em março deste ano. “Essa data se refere também ao grande número de mulheres negras em situação de vulnerabilidade social, são as mulheres negras que estão nos menores índices de escolaridade e que recebem os menores salários”, lembra a escritora Cristiane Sobral.
Entretanto, além de denunciar as adversidades enfrentadas por mulheres negras, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha  busca comemorar os êxitos e homenagear a luta desse grupo. “Quando a gente celebra essa data, a gente quer também valorizar as contribuições que conquistamos, apesar de todas as dificuldades. Nós temos lutado no campo político, intelectual e econômico e estamos presentes nas universidades, no mercado de trabalho, na mídia e na política partidária. Todas essas conquistas devem ser celebradas”, completa a escritora.
Resistência na arte
Artistas de diversos segmentos culturais utilizam seus trabalhos para falar sobre as vivências pessoais como uma mulher negra no Brasil e na América Latina. Foi na música que a rapper maranhense Thabata Lorena encontrou um jeito de expressar suas ideias, pensamentos e experiências. Apesar de ter nascido no Nordeste, ela cresceu em Brasília e, em 2014, lançou seu primeiro trabalho autoral, o disco Novidades ancestrais.  “Não houve um momento em que eu percebi que falar sobre negritude era importante. Eu sou uma mulher negra, esse é meu lugar de fala, são as minhas vivências”, afirma Thabata.
Com letras sobre empoderamento e aceitação, como o sucesso Alisar pra quê?, Thabata reuniu as faixas do disco e, em 2017, realizou o lançamento do primeiro DVD, que leva o mesmo nome do disco. Para a rapper, conteúdos artísticos que abordam a questão da mulher negra têm alcançado cada vez mais espaço. Thabata explica: “Nós mulheres começamos a ouvir nossas próprias produções. É um conteúdo afro e feminista centrado”, conta. A rapper se apresenta, no próximo dia 3, na Cervejaria Criolina. No dia 11 de agosto, Thabata sobe no palco do Festival COMA.
* Estagiárias sob supervisão do subeditor Severino Francisco.